terça-feira, 18 de julho de 2017

Seu filho pode ser uma criança superdotada

Você acha que seu filho é superdotado? Veja aqui como reconhecer algumas características que a criança apresenta.
  • A superdotação pode acontecer devido à genética e ao ambiente, embora os cientistas ainda não tenham chegado a uma conclusão. A verdade é que, se uma criança nasce superdotada, independente do ambiente em que vive, ela cedo ou tarde mostrará suas habilidades, e deve ser estimulada a tal.
  • Algumas habilidades a se observar:
    • É interessada em uma grande variedade de áreas.
    • Possui excelente memória.
    • Passa longos períodos de tempo concentrada em uma coisa determinada.
    • Tem uma curiosidade fora do normal.
    • É persistente em fazer algo que a desafie mentalmente.
    • Tem habilidades de resolução de problemas com rapidez.
    • Facilidade de aprendizado.
    • Qualidades de liderança.
    • Alto grau de energia.
    • Desenvolve a linguagem rapidamente (não em todos os casos).
    • Lê muito e antes da idade de leitura com facilidade.
    • Sensibilidade maior que o comum.
    • Adora quebra-cabeças.
    • Facilidade em matemática.
    • Alto grau de justiça e moral.
    • Perfeccionismo.
    • Maturidade de julgamento.
    • Imaginação vívida.
    • Boa observadora.
  • Cuidado com o diagnóstico errado

  • O psicólogo James T. Webb, autor deste livro, diz que o diagnóstico de crianças superdotadas mede: a habilidade intelectual – não somente através de testes de Q.I.(quociente de inteligência), e algumas são diagnosticadas como Transtorno do déficit de atenção ou hiperatividade. Não que todas as crianças que apresentam o TDAH sejam superdotadas, mas ele sugere que, quanto mais os pais se informarem sobre a superdotação e observarem seus filhos, estes poderão ser mais bem estimulados, caso sejam superdotados.
  • Não force os filhos a se tornarem superdotados
  • Há uma diferença entre ser estudioso e esforçado, tirar notas boas e ser superdotado. Muitos pais e mães gostam de falar que seus filhos são superdotados, e muitos os forçam a isso. Muito cuidado deve ser tomado para não esquecer que a criança ainda é uma criança, seja ou não um superdotado.
  • Não é fácil ser pai ou mãe de uma criança superdotada e precisa-se de muita paciência e consistência na disciplina. Ajude-o a lidar com estresse e perfeccionismo.
  • Esteja preparado para a mudança de planos

  • Crianças superdotadas devem ser estimuladas e sua rotina dependerá do quanto os pais podem acompanhá-la com atividades extracurriculares.
  • O que fazer se sua criança é superdotada

  • Se você observou que sua criança possui algumas dessas características, procure o Núcleo de Atividades de Altas Habilidades e Superdotação mais próximo (NAAHS), o Centro para o Desenvolvimento do Potencial e Talento (Cedet) ou o ConBraSD – Conselho Brasileiro para Superdotação e eles lhe darão mais informações.
  • Fonte: familia.com.br

Filhos superdotados: Estimulando sua inteligência da forma correta

A maior perda de potencial acontece quando a criança não é estimulada. Suas características estarão com ela por toda a vida, mas dependerão do quanto são nutridas para fluírem.

  • Uma vez que seu filho foi identificado como superdotado de acordo com o que informamos no artigo Como reconhecer crianças superdotadas, o próximo passo é procurar os NAAHS e Cedets.
  • Como posso estimular e educar uma criança superdotada em casa?

  • A maior perda de potencial acontece quando a criança não é estimulada. Suas características estarão com ela por toda a vida, mas dependerão do quanto são nutridas para fluírem.
  • Crianças superdotadas precisam de atenção diferenciada no aprendizado. Elas precisam estar interessadas no que estão estudando, e não somente para conseguir boas notas, ou seja, precisam estar intrinsecamente motivadas.
  • Algumas dicas de atividades para se fazer em casa com crianças superdotadas:

    1. Tenha paciência, pois crianças superdotadas tendem a querer debater certas regras impostas e podem se tornar sensitivas ao extremo.
    2. Dê-lhe jogos pedagógicos, quebra-cabeças, jogos de matemática, onde ela poderá focar com facilidade. Dê-lhe também livros de ciência, arte e música.
    3. Livros variados para ler, de bons padrões e apropriados.
    4. Coloque regras e consequências claras.
    5. Evite ficar negociando com ela quando a mesma quebrou a regra.
    6. Não brigue ou responda. Dê um aviso ou aumente o tempo da consequência/punição. Nunca bata.
    7. Seja consistente.
    8. Ensine-a a ser otimista.
    9. Para lidar com as perguntas que nunca acabam, façam uma lista e marquem um dia para irem à livraria ou procurarem mais informação sobre seus interesses.
    10. Outro estímulo que pode-se fazer em casa é dar projetos para ela completar, como ler um livro, escrever uma resenha do mesmo, ou conversar com ela sobre o que ela achou do livro.
    11. Proporcione-lhe muitas atividades que gastem energia.
    12. Introduza-lhe ao mundo dos insetos, plantas, as crianças superdotadas tendem a ficar fascinadas por essas coisas.
    13. Converse com a criança sobre seus talentos. Explique a ela que não é todo mundo que os possui, e que por isso os amigos dela muitas vezes não entendem o que ela quer fazer ou dizer.
    14. Informe-se. Mantenha-se atualizado com os centros de ajuda às crianças superdotadas, e com informações variadas mundo afora.
    15. Tenha certeza que o tratamento que ela tem na escola e de outras pessoas é compatível e que não a deixa marginalizada ou atrás das outras crianças.
  • Toda criança que tem boas notas é superdotada?

  • Não. Existem as que são estimuladas e tiram notas melhores que a maioria, e existem as superdotadas. As bem estimuladas são capazes de tirar notas máximas através de trabalho duro e memória praticada, e muitas o conseguem, pois gostam de aprender. As superdotadas tem facilidades em algumas áreas fora da classe de aula. Se os pais conseguem manter o interesse da mesma, elas progridem com facilidade visível. Precisa-se tomar muito cuidado com a ansiedade e perfeccionismo.
  • Se bem estimulada, a criança superdotada poderá:

    • Entrar mais cedo na escola.
    • Pular séries.
    • Ter disciplinas aceleradas.
    • Estudar paralelamente (por exemplo, Ensino Médio e Universidade).
    • Ganhar boas bolsas de estudo.
  • Centros de informação para pais de crianças superdotadas

  • Fonte: familia.com.br

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Veja como identificar se seu filho é superdotado

Lista do MEC ajuda pais a diagnosticarem altas habilidades nas crianças
Antes de desenvolver a Teoria da Relatividade, Einstein foi um mau aluno na escola.

Ter uma criança superdotada em casa pode ser uma surpresa para a família. Imagine então o que viveram os pais de Lydia Sebastian, de apenas 12 anos, quando descobriram que sua filha tinha um QI (quociente de inteligência) maior que o do físico Albert Einstein e do cientista Stephen Hawking.


Segundo o jornal britânico Daily Mail, Lydia passou um ano se preparando e tirou 162 em um teste de QI, dois pontos a mais do que os dois gênios. O feito foi comemorado e amplamente divulgado pela imprensa no mundo todo. 
Mas será que isso realmente indica que a jovem é superdotada?


Segundo o Ministério da Educação (MEC), engana-se quem pensa que o teste de QI é suficiente para definir se uma criança é ou não superdotada. Apesar de ser a maneira mais famosa de se definir um gênio, o teste, na verdade, só identifica um tipo de habilidade: a cognitiva.



Segundo Ada Cristina Toscanini, presidente da Associação Paulista para Altas Habilidades/Superdotação, uma criança não precisa ser perfeita no teste de QI para ser considerada superdotada.



— O teste de QI indica apenas que a menina (Lydia) é brilhante, tem raciocínio muito rápido, capacidade de tomar decisões e agir de forma correta. Desde 1980, com o surgimento da Teoria das Inteligências Múltiplas, ficou definido que uma criança pode ser altamente habilidosa em uma área e em outra não. Por isso é preciso fazer avaliações por habilidades para definir em que área a criança é superdotada.

O MEC divulgou em 2007 uma lista de características que podem definir uma criança superdotada. Toscanini explica que os pais que identificarem em seus filhos no mínimo seis das características abaixo devem procurar um neurologista e explicar para o médico sobre a suspeita da superdotação.

1 – Aprende fácil e rapidamente.

2 – É original, imaginativo, criativo, não convencional.

3 – Está sempre bem informado, inclusive em áreas não comuns.

4 – Pensa de forma incomum para resolver problemas.

5  – É persistente, independente, autodirecionado (faz coisa sem que seja mandado).

6 – Persuasivo, é capaz de influenciar os outros.

7 –  Mostra senso comum e pode não tolerar tolices.

8 –  Inquisitivo e cético, está sempre curioso sobre o como e o porquê das coisas.

9 - Adapta-se com bastante rapidez a novas situações e a novos ambientes.

10 - É esperto ao fazer coisas com materiais comuns.

11 - Tem muitas habilidades nas artes (música, dança, desenho etc.).

12 –  Entende a importância da natureza (tempo, Lua, Sol, estrelas, solo etc.).

13  – Tem vocabulário excepcional, é verbalmente fluente.

14 –  Aprende facilmente novas línguas.

15 - Trabalhador independente.

16 – Tem bom julgamento, é lógico.

17  – É flexível e aberto.

18 –  Versátil, tem múltiplos interesses, alguns deles acima da idade cronológica.

19 - Mostra sacadas e percepções incomuns.

20 - Demonstra alto nível de sensibilidade e empatia com os outros.

21 - Apresenta excelente senso de humor.

22  – Resiste à rotina e à repetição.

23  – Expressa ideias e reações, frequentemente de forma argumentativa.

24 - É sensível à verdade e à honra.

Pela lista fica claro o quanto o teste de QI é insuficiente para definir uma criança superdotada. A falta de informação sobre o assunto faz com que muitas crianças com altas habilidades sejam diagnosticadas com distúrbios, encaminhadas para psicólogos e, muitas vezes, medicadas de maneira errada.


Toscanini dá exemplo de um dos casos em que o superdotado pode ser mal-interpretado graças ao teste de QI, que tem limite de tempo para ser finalizado.



— Se uma criança é superdotada em determinada área mas é extremamente perfeccionista, ela provavelmente vai se dar mal em um teste desses porque ela vai precisar de mais tempo para resolver as questões. Mas o fato de ela ter alta habilidade em artes, por exemplo, já a coloca no patamar de superdotação.



Então o que fazer se seu filho apresenta no mínimo seis das 24  características descritas na lista acima? Veja as dicas da Associação Paulista para altas habilidades/Superdotação:



Primeiro, vá a um neurologista. Explique para ele que você suspeita que seu filho possa ser superdotado e peça a realização de exames neurológicos exatamente para afastar a hipótese de a criança ter algum distúrbio.



Feitos os exames, procure uma associação que possa avaliar todas as habilidades do seu filho. Lá ele encontrará todo o apoio para que possa desenvolver plenamente seu potencial.



Dados da Organização Mundial de Saúde mostram que de 3 a 5% de qualquer comunidade é composta por superdotados e 20% têm alta habilidade. Toscanini alerta para o risco que as crianças com essas características estão correndo em escolas comuns.



— A maioria das escolas destroem esses talentos porque não tem profissionais suficientemente preparados para lidar com essas pessoas. O que acontece é que elas muitas vezes são curiosas, ansiosas e dão muito trabalho. Frequentemente são até convidadas a se retirar do colégio por causa disso.

Fonte: Gustavo Alves, do R7

sexta-feira, 16 de junho de 2017

CRIANÇAS COM ALTAS HABILIDADES, COMO IDENTIFICAR?

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 5% e 8% da população mundial é superdotada. Quando crianças, os superdotados costumam apresentar boa memória, vocabulário muito rebuscado para a idade, uma curiosidade fora do comum e capacidade para aprender rapidamente.

Esse conjunto de características é classificado pelos especialistas como "altas habilidades". Superdotados precisam de estímulos para não perder todo o seu potencial e também de cuidados para que não desenvolvam problemas de relacionamento.

As crianças com altas habilidades apresentam uma variedade de características tanto mentais como sociais, emocionais e físicas. Muitas são amistosas e expansivas; algumas são tímidas e retraídas; a maioria é feliz e segura; umas poucas são ansiosas ou deprimidas.

Nem todas as crianças com capacidade mental elevada são facilmente identificadas.

Não é de se esperar que os pais conheçam a literatura que descreve crianças inteligentes e suas necessidades. Além disso, normalmente a família está acostumada ao nível de desempenho do seu filho deixam frequentemente de reconhecer sintomas de inteligência elevada.

Tanto o conhecimento das qualidades que indicam capacidade elevada, quanto a experiência de trabalho com essas crianças, são imperativos para a identificação adequada. Mesmo o julgamento experiente, necessita ser suplementado por dados objetivos através de testes, entrevista com os pais, observação de desempenho, definindo assim um processo de avaliação individual.

Quando estimuladas e em ambiente adequado, os alto habilidosos/ superdotados tem, entre outras características, probabilidade de evidenciar comportamentos tais como: 

• Aprender rápido e facilmente;

• Reter o que aprendem sem muito exercício;

• Demonstrar muita curiosidade e pensamento crítico;

• Ter vocabulários ricos, marcados pela originalidade de pensamento e de expressão;

• Ter prazer em ler;

• Mostrar interesses por palavras e ideias novas;

• Ter a capacidade de generalizar, de perceber relações e de fazer associações;

• Examinar, tabular, classificar, coletar e conservar registros;

• Conhecer e apreciar coisas das quais outras crianças não se dão conta;

• Estar interessada pela natureza do homem e de seu universo em idade precoce;

Outras características "indesejadas" sob o ponto de vista do adulto, pode muitas vezes obscurecer os sinais mais positivos de capacidade e evidenciar fatores como:

-Inquietação, desatenção sendo importunas para os que as rodeiam, como muitas crianças que tem necessidades não atendidas;

-Dificuldades na ortografia ou imprecisas em aritmética, porque são impacientes com detalhes que requerem aprendizagem de cor ou treinamento;

-"Descuidadas" em completar ou entregar tarefas e indiferentes em relação ao trabalho de classe, quando desinteressadas;

-Sinceramente críticas, tanto a respeito de si mesma como dos outros, uma atitude que frequentemente afasta adultos e também crianças.

Características, tanto desejáveis quanto indesejáveis, podem indicar que uma criança tem inteligência acima da média.

As informações procedentes proporcionam alguns exemplos de qualidades que surgem em crianças superdotadas. Diferentes capacidades, interesses e maneiras de comportamento são importantes de serem observados na identificação dessas crianças.

A observação sistemática e a avaliação cuidadosa são importantes ações para que crianças com altas habilidades/superdotação não sejam esquecidas e seu talento desperdiçado. 

Você sabia que Mozart também foi uma criança com altas habilidades? Segue indicação de leitura sobre a vida deste gênio da música.



Créditos/Referências: 

Núcleo de Atividades de Altas Habilidades /Superdotação (NAAH/SCE): http://naahsceara.blogspot.com.br/2011/09/criancas-com-altas-habilidades-como.html




terça-feira, 28 de março de 2017

Mentes brilhantes: conheça as características do cérebro de pessoas com altas habilidades cognitivas, os superdotados

Felipe Heusi Kossmann adorou Interestelar (Christopher Nolan, 2014). Segundo ele, é um filme que trata das possibilidades do universo de uma forma mais real, sem tanta dramaturgia como em Star Wars, por exemplo. Ele também gostou porque apresenta um assunto que já costuma pesquisar e pelo qual tem grande curiosidade: as teorias gravitacionais, a relatividade e a possibilidade de viajar no tempo. Logo, o gancho da conversa se perde e fica difícil de acompanhar o raciocínio da criança de 11 anos apaixonada por astronomia.

— Fiquei pensando se realmente é possível viajar através de um buraco negro, calcular e trabalhar com a dimensão do tempo de tal modo que possamos ir para o passado e para o futuro. Será que seríamos, então, sempre o resultado de uma ação futura de alguém que já viajou no tempo? — diz em uma conversa casual, que inclui fórmulas e citações de vetores.

    Aos 11 anos, Felipe Kossmann dedica-se a estudar a Teoria da Relatividade
    Foto: Marco Favero / Agencia RBS
Felipe é considerado uma criança com altas habilidades, condição conhecida popularmente como superdotada. Por enquanto, ele está no Núcleo de Atividades de Altas Habilidades e Superdotação (Naah/S), da Fundação Catarinense de Educação Especial (FCEE), a única instituição pública de Santa Catarina voltada a esse público. Mas ele sonha um dia em chegar à agência espacial americana, a Nasa.
Assim como Felipe, hoje 60 crianças e adolescentes estudam em atividades de suplementação acadêmica da FCEE para desenvolver melhor as próprias habilidades especiais. Um número pequeno diante da população do Estado, 6 milhões de pessoas. A Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que de 3% a 5% da humanidade se encaixa no perfil de superdotação. Porcentagem que pode ser maior segundo a doutora em psicologia educacional em altas habilidades da Universidade de Brasília (UnB) Angela Virgolim.
— Esse dado leva em conta apenas aspectos acadêmicos e desempenho escolar. Se considerarmos todas as formas de altas habilidades como arte, esportes, música, triplicamos o número de pessoas com potencial — explica a pesquisadora.
Felipe chegou ao Naah/S depois que a família e professores perceberam que ele não era apenas nota 10 em todas as matérias no boletim. O pai Leomar Kossmann, subtenente do Exército e formado em sistemas de informações, reparou na intensidade que o filho se concentrava em assuntos que gostava.
— Às vezes, ele se concentra em um objetivo e parece que não volta mais. Não sente fome, sede, nada. Só quer entender aquele tema até o fim — conta Kossmann.

A identificação de que o filho ou o aluno tem uma habilidade acima do normal costuma levar algum tempo. Enquanto isso não acontece, as crianças ficam marcadas como estranhas, chatas, CDFs. Fabiana Fleck, mãe de Gabriel, 14 anos, por exemplo, diz que não conseguia acompanhar o raciocínio do filho em determinadas situações. Além disso, se surpreendia com alguns comportamentos dele, como passar horas envolvido em cálculos de matemática avançada ou quando, aos dois anos, ele preencheu o desenho de um patinho com bolinhas de papel amassadas com tanta perfeição que impressionou os professores.
— Ele começava a me contar um raciocínio. Falava e tentava me explicar o assunto. Ao final, me perguntava: "entendeu mãe?" Eu respondia: "Não, filho" — conta Fabiana.
Apesar dos sinais durante toda a infância, Gabriel só chegou à FCEE quando conquistou a medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Matemática entre alunos de escolas públicas.


Diferentes interesses, foco extremo em uma atividade, aprendizado rápido e perfeccionismo são algumas das características de Gabriel que costumam aparecer em pessoas com altas habilidades. Mas a generalização dessas características e a ideia de que superdotados são gênios que sabem de tudo são os primeiros erros que levam a ignorar mentes com potencial ampliado. Gabriel, por exemplo, já sabia fazer cálculos aos três anos, mas aprendeu a lere escrever apenas aos oito.
— É preciso uma avaliação minuciosa. Não só do que eles sabem, mas do que gostariam de saber. Como aprendem e como gostam de aprender. Há certas matérias em que o aluno é muito bom, mas não gosta e não quer saber melhor — explica a pesquisadora Angela Virgolim, da UnB.
A coordenadora do Naah/S, Andréia Panchiniak, acrescenta que a desinformação sobre o assunto leva pais a inibir o potencial dos filhos porque não querem que eles sejam diferentes.
— Há diversos casos em que a criança é inibida pelos pais para deixar de ler e estudar. Isso porque não querem que seus filhos sejam diferentes — afirma a coordenadora do Naah/S.
As pesquisas sobre a inteligência e a mente de quem tem altas habilidades estão longe de ser conclusivas, apesar dos avanços nas últimas décadas. Segundo Angela, exames neuropsicológicos são usados somente quando há suspeitas de dificuldades, distúrbios de estresse ou emocionais.
— Sabemos que as pessoas de altas habilidades fazem conexões neuronais mais rapidamente. Realizam mais sinapses e têm um desenvolvimento cerebral específico para certas atividades — diz.
A doutora pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) Elisabete Castelon Konkiewitz, coautora do livro Altas Habilidades, Inteligência e Criatividade: Uma Visão Multidisciplinar, publicado em 2014, indica que o desempenho do processamento cognitivo associado à inteligência depende da complexidade e eficiência das conexões entre os neurônios. 
O mesmo livro também cita sujeitos com altas habilidades que teriam uma rede de neurônios com melhor transferência de informações entre diferentes unidades funcionais. Elisabete aborda ainda a questão genética e a importância das experiências de vida na formação das pessoas.
— São diferentes genes, possivelmente centenas, que causam predisposição para facilitar processos cognitivos. Mas isso tudo só fará sentido conforme as experiências vividas e estímulos. Desde a casa, escola, cuidados dos pais, esportes lazer, alimentação, sono, tudo pode influenciar na inteligência.
Outro problema apontado pelos pesquisadores é a falta de espaço adequado para que essas pessoas desenvolvam o próprio potencial. Uma vez que elas têm oportunidade de se desenvolver, as dificuldades seguem nas exigências para cumprir o currículo de ensino padrão e na aceitação das universidades.
— Diferente de outros países, não conseguimos alocar esses adolescentes em universidades, onde poderiam continuar o desenvolvimentos das suas especialidades. Há muita burocracia e muitas vezes é mais fácil migrar para outro lugar — completa Angela.
Há diversas leis, decretos, pareceres e resoluções na política de ensino nacional e estadual que contemplam alunos com altas habilidades. Desde 1996, a Lei no 9.394 estabelece "aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para superdotados". Tópico que também está presente na lei estadual no 170 de 1998 sobre o Sistema Estadual de Educação de Santa Catarina.
Por fim, resolução do Conselho Estadual de Educação dispõe que o avanço nos cursos ou séries/anos poderá ocorrer sempre que se constatarem altas habilidades ou apropriação pessoal de conhecimento por parte do aluno igual ou superior a 70% dos conteúdos de todas as disciplinas em que ele estiver matriculado. Mas, na prática, esses processos são muito mais complicados.
— Acontece muito isso e a escola fica insegura de fazer esse processo. Mas a autonomia é da escola, que deve levar o melhor para aluno. Essa falta de conhecimento da legislação dificulta o desenvolvimento dos que estão acima da média — contextualiza a pedagoga Liliam Barcelos.